domingo, 9 de junho de 2013

Querida, minha biblioteca me engoliu: sobre timidez erudita e presunção criativa





Por Gabriel Peters- IESP/UERJ


Como todos os jovens eu decidi ser um gênio, mas felizmente o riso interveio. (Lawrence Durrel)

O mundo precisa de mais gênios humildes. Infelizmente, sobram poucos de nós. (Oscar Levant) 


Picasso com a palavra: “Toda criança é um artista. O problema é como permanecer um artista quando se cresce”. Embora todos os nossos alertas a respeito de interpretações simplórias de tal enunciado devam estar ligados, não é sensato desconsiderar o que um grande gênio tem a dizer sobre as disposições de espírito ligadas à sua arte. A bem da verdade, Picasso simplesmente oferece a autoridade de sua voz à tese bem conhecida de que a imaginação pouco censurada das crianças tende a ser sufocada conforme a cognição passa a funcionar mais e mais segundo os modos “adultos” de pensar, em particular com a ampliação de conhecimentos e a utilização do pensamento analítico. Na tradição humanística, idealistas alemães como Schiller já haviam assemelhado os impulsos criativos às brincadeiras infantis, em uma associação que também encontraria lugar na obra de Freud, para quem tanto o artista quanto a criança engendram mundos fantasiosos nos quais desejos reprimidos podem encontrar sua satisfação sublimada.
O que complica tremendamente a questão é o fato de que mesmo a aceitação da existência de um elemento de espontaneidade livre e “infantil” nas realizações criativas de alto nível não esconde que estas corporificam também, e indissoluvelmente, largas doses de trabalho disciplinado e conhecimento especializado. É óbvio que não há qualquer realização criativa excepcional na arte ou na ciência que haja brotado do nada, que não pressuponha um alto nível de familiaridade com o legado informacional de um domínio artístico ou científico relevante, o próprio legado que fornece aos criadores algumas ferramentas cognitivas e expressivas indispensáveis à feitura do seu produto original.

Ao mesmo tempo, temos uma gama de dados à mão que nos sugerem que tal familiaridade pode atingir um cume em que passa a tolher, ao invés de alimentar, a emergência de criações extraordinárias, resultando em uma sensibilidade convencional destituída do grau de flexibilidade e independência intelectual necessário à produção de obras originais. As ilustrações pertinentes podem ser colhidas tanto na arte quanto na ciência – Einstein, por exemplo, tinha contemporâneos bem mais informados do que ele sobre física teórica, para não falar na parafernália matemática que lhe estava associada, quando revolucionou a área com sua teoria da relatividade (Simonton, 2003: 213-214). Permita-me, no entanto, analisar a questão mais a fundo a partir de uma área que não é nem arte nem ciência (mas que talvez seja ambas as coisas e mais): a filosofia.

Filosofia original como mau comentário?

O filósofo argentino Julio Cabrera sublinhou que “é muito raro encontrar um único pensador importante que seja também um bom expositor de outras Filosofias”. “A leitura heideggeriana de Kant ou a nietzschiana de Spinoza”, por exemplo, “são simplesmente deficientes!” (2010, 29; 36). Interessante e enigmático, não é? Que valores são mais prezados na atividade do comentário e da exegese? A atenção minuciosa ao que o autor realmente quis dizer, a necessidade de situar eruditamente o sentido das afirmações contidas em tal ou qual trabalho no conjunto da sua obra, a vigilância contínua em relação a leituras simplificadoras e parciais das ideias que ele avançou, o controle reflexivo da intrusão de preocupações extemporâneas àquelas do filósofo analisado ou de intenções críticas relacionadas às visões pessoais do intérprete, dentre outros. Não é difícil reconhecer que tais virtudes do trabalho de comentário podem tornar-se significativos obstáculos à tessitura de teses originais.

Imaginemos uma mente filosófica esquizoide, cindida entre um pensador com arroubos de originalidade e um intérprete hiper-responsável. Toda divergência mais ou menos radical do primeiro em relação a filósofos consagrados é censurada pelo segundo como oriunda de uma leitura simplificadora, insensível à inesgotável sutileza e complexidade daquelas vacas sagradas do campo. Cada insight original que pipoca espontaneamente no tutano do pensador é vinculado pelo erudito exegeta, de modo apressado, às coisas parecidas que Platão, Aristóteles ou Heidegger podem ter dito nesse ou naquele texto. E por aí vai...Foi pensando nessas pobres almas capazes de invenções originais, mas tolhidas, ao invés de empoderadas, pelo peso opressivo de uma biblioteca que carregavam na cabeça, que Nietzsche afirmou que “muitos homens fracassam em se tornar pensadores somente porque a sua memória é demasiadamente boa”.

O tema da perda da capacidade inovadora em função da assimilação de um excesso de informações quase poderia ser convertido em uma metáfora espacial de dois tipos de mente: uma na qual as vias que permitiriam circulação exploratória por cenários desconhecidos passam a ser bloqueadas por estantes abarrotadas de livros; outra que, por outro lado, com toda certeza não está em nada parecido com um deserto, mas lançada em uma paisagem em que a mobília intelectual é apenas a suficiente para instilar, nela, a motivação e a capacidade que lhe permitem explorar, por conta própria e com mais liberdade, o espaço ao seu redor (está bem, agora parei com a metáfora). Um conjunto valioso de passagens que expressam tal contraponto foi recentemente recolhido por Eduardo Gianetti (2008: 24-28):

Acredito que algumas das maiores mentes que até hoje existiram não tenham lido nem a metade e soubessem consideravelmente menos do que alguns de nossos medíocres scholars. Creio que alguns de nossos scholars realmente medíocres poderiam ter chegado a ser homens mais grandiosos se não tivessem lido em demasia (Lichtenberg).
Os scholars que...pouco mais fazem...a não ser manusear livros, acabam por fim perdendo inteiramente a capacidade de pensar por si mesmos. Quando não manuseiam, não pensam. Eles respondem a um estímulo (um pensamento que leram) sempre que pensam – nada fazem, por fim, exceto reagir. (...) Tenho visto isso com os meus olhos: naturezas talentosas...arruinadas pelo excesso de leitura já na meia-idade (Nietzsche)

 Nutrição pela leitura e digestão reflexiva

O problema da ameaça à inventividade intelectual advinda de um excesso de informações disciplinares aparece, de modo particularmente contundente, em discussões várias sobre a importância de se combinar a leitura à meditação autônoma. Inaugurando uma metáfora estomacal posteriormente utilizada também por Schopenhauer, Edmund Burke disse, curta e sentenciosamente, que “ler sem refletir é como comer sem digerir”. Já que existem graus variados de reflexão bem feita a acompanhar a atividade de leitura, podemos abrir espaço para a consideração de um continuum de níveis de boa e má digestão intelectual. Indivíduos rabugentos, daqueles que estão sempre espinafrando a mediocridade que os cerca, poderão avançar na metáfora estomacal e convertê-la em uma metáfora intestinal ao discutir os produtos que terminam resultando de problemas sérios na absorção de alimentos cognitivos (mas não conte comigo para fazer isso, porque esse tipo de humor não é minha praia).

Seja como for, a tese crucial aqui é que uma leitura em doses sensatas, quando acompanhada de uma inteligência diligentemente meditativa, fortalece o entendimento, ao passo que uma leitura atabalhoada e pouco reflexiva – ou, pior ainda, uma leitura que se substitui preguiçosamente à reflexão - apenas bagunçaria mais o coreto da mente, tornando o entendimento confuso. Algo similar aconteceria no tocante à inventividade intelectual, menos e menos alimentada conforme o ato do pensamento, em vez de se realizar a partir de uma propulsão predominantemente interna, se acopla invariavelmente aos estímulos reativos dados pelo contato com o fluxo de outro pensamento:
O excesso de leitura priva a mente de toda a elasticidade (...) A maneira mais segura de jamais ter um pensamento próprio é apanhar um livro toda vez que se tem um tempo livre. (...) O homem que pensa por si mesmo busca as opiniões das autoridades somente depois de ter adquirido suas próprias opiniões e meramente como confirmação delas, ao passo que o filósofo livresco começa com as autoridades e constrói suas opiniões coletando as opiniões dos outros: sua mente está para a do primeiro assim como um autômato está para um homem vivo. Uma verdade que foi apenas aprendida adere a nós somente como um membro artificial...(...)Mas uma verdade conquistada pelo próprio pensamento é como um membro natural: só ela realmente nos pertence. Isso define a diferença entre um pensador e um scholar (Arthur Schopenhauer).
 Arthur, porém, carrega demais nas tintas. Sua contraposição entre o scholar autômato e o pensador informado, porém soberano, deveria ser lida como uma distinção ideal-típica entre polos de um contínuo. Isto porque não há apropriação de conhecimentos pela leitura sem alguma dose de pensamento independente, nem reflexão autônoma de busca das próprias opiniões que não seja, em grau substancial, reflexo de opiniões adquiridas de outros. A proposta de se buscar “as opiniões das autoridades” apenas depois de se haver formulado as próprias é, na melhor das hipóteses, válida para um sujeito intelectualmente maduro que já passou pelo trabalho inevitável de assimilação mais ou menos passiva de informações e instrumentos intelectuais alheios. Na pior das hipóteses, aquela proposta constitui uma receita seja para manifestações de originalidade simplesmente tola, seja para proezas criativamente ignorantes de reinvenção da roda, redescoberta da pólvora e navegação para velhas Américas – proezas individualmente honrosas, bem entendido, mas historicamente redundantes.

Para encontrar uma visão mais matizada do que aquela avançada por Schopenhauer, não precisamos voltar muito no tempo - apenas pouco menos de vinte séculos, retornando ao período em que brotou da pena de Sêneca o último de seus escritos conhecidos por nós: Epistulae Morales Ad Lucilum. Nas cartas em que saúda seu amigo Lucílio, o filósofo romano advoga uma alternância fecunda ou tempero recíproco entre a leitura e a escrita. A primeira funciona como um alimento da inteligência que arranca o sujeito do cenário estreito dos seus limites cognitivos, coloca-o em contato com “as descobertas já feitas” e conscientiza-o quanto às “que ainda estão por encontrar” (2002: 106-107). O insumo espiritual reunido das leituras só pode ser convertido em “corpo e unidade” organizados, no entanto, através da escrita, pela qual informações meramente coletadas na memória são mais profundamente enraizadas como instrumentos de nosso entendimento e sintetizadas entre si segundo combinações só nossas. O excesso de escrita em detrimento da leitura “enervará e esgotará” nossas forças intelectuais, privando-as do estímulo exterior necessário, enquanto o desequilíbrio inverso “as dissolverá e diluirá”. Deveríamos, em vez disso, aspirar ser como “as abelhas, que vagam de um lugar a outro e escolhem as flores mais apropriadas para elaborar o mel, e depois dispõem e adereçam em favos tudo o que recolheram” (idem). Essa gracinha de metáfora talvez patenteie, no entanto, os limites do que ela mesma afirma: certos favos já estão tão bem dispostos e adereçados que proíbem qualquer intervenção.

A delicada via média entre a autoconfiança e a autocrítica

O tolher das disposições criativas pela ingestão intelectual em excesso não ocorreria apenas pela habituação cognitiva seguir os pensamentos lidos de outros (“engessamento” intelectual), mas também por uma via motivacional. Voltemos ao filósofo esquizoide cujas intenções de originalidade são consistentemente solapadas por sua erudição. Nele, a vontade de filosofar de próprio punho é imediatamente assoberbada pelo gigantismo intelectual dos companheiros de lida filosófica, desembocando no desespero resignado da questão: “quem sou eu(zinho) para arriscar tal coisa”?

Deparamo-nos aqui com uma das muitas instáveis dialéticas da criação: situações em que o sucesso no empreendimento criativo depende de uma combinação ambivalente de atributos que, se existindo unilateralmente ou em doses excessivamente desequilibradas, terminam por corroer a empreitada inovadora. Os atributos, no caso específico em mira, são autoconfiança e autocrítica. Hegel escreveu em algum lugar que “a confiança no poder do espírito é a primeira condição da filosofia”. Suponho que uma das lições fundamentais das filosofias de seus predecessores Descartes e Kant seja a de que a dúvida em relação ao poder do espírito constitua uma das condições primeiras da filosofia. Os três têm uma dose substancial de razão. O progresso intelectual depende, não apenas na filosofia, de uma articulação equilibrada entre autoconfiança e autocrítica, disposições vinculadas, grosso modo, às duas facetas cognitivas fundamentais na dialética da criação: a inventividade mais pessoal e as regras que modulam o valor daquela inventividade para os juízes relevantes em certo domínio (um campo artístico, uma disciplina científica etc.). Não é difícil observar instâncias vivas de junções desequilibradas entre essas propensões da vida intelectual nos vários estratos do microcosmo acadêmico, inclusive nas salas de aula, povoadas por hiperconfiantes que aparentemente não têm consciência da dispensabilidade de muitas de suas falas e também pelos casos (menos irritantes, embora mais tristes) das pessoas tímidas que possuem coisas relevantes a dizer, mas que raramente ou nunca o fazem por jamais estarem certas de que sua intervenção será suficientemente interessante para adquirir a dignidade de uma manifestação pública.

Tais propensões distintas poderão ser reforçadas por referências pedagógicas diversas. O mesmo Schopenhauer que denunciou o mero scholar que, diferentemente do verdadeiro pensador, passa ao largo da formulação autônoma de suas opiniões pela coleta livresca de opiniões alheias ainda tinha veneno intelectual para detonar, por outro lado, os acadêmicos que buscavam escapar ao ofício da mera erudição técnica e enveredar por pensamentos originais e profundos sem terem o fôlego cognitivo necessário à empreitada. Nas suas notas Sobre a Filosofia Universitária, o autor alemão fustiga os professores de filosofia que não se conformavam em simplesmente transmitir os ensinamentos de filósofos dignos desse nome e julgavam dever desempenhar, eles mesmos, o papel de construtores de sistemas filosóficos originais, dando ensejo a um espetáculo que ele descrevia como “insuportável” (2001: 32). De fato, muitos indivíduos que poderiam sonhar em fazer uma contribuição original sentem-se sobrepujados por outra motivação mais forte: o medo de serem atores desse espetáculo tragicômico descrito por Schopenhauer.

O que uma postura iconoclasta como a de Schopenhauer pode encorajar é uma atitude saudável de suspeição primeira diante da autoconfiança intelectual injustificada, uma consciência aguda dos riscos de um ignorante espontaneísmo invencionista, bem como da necessidade de formação disciplinada de um intelecto rigoroso, capaz de submeter a si próprio a trabalhos impiedosos de higienização. No entanto, essa orientação deixa o flanco aberto para o risco inverso. Ao denunciar muito justamente transbordamentos infundados de autoconfiança, talvez ela torne desamparadas algumas pessoas particularmente brilhantes, mas cuja autocrítica e autoexigência intelectual exercem sobre elas um poder paralisante. Se algumas pessoas podem produtivamente mitigar seus excessos de autoconfiança diante de tantos exemplos dos “néscios filosofantes” de que fala o misantropíssimo Schopenhauer, outras talvez precisem ser protegidas do perigo de sufocamento sob o peso das exigências de um superego intelectual descompensado, precisam ser convencidas de que certa indiferença em relação a parecer ridículo pelas coisas que se diz é, na verdade, uma pré-condição da sabedoria desde Sócrates. Pascal disse certa feita que os seres humanos se dividem em santos que se consideram pecadores e pecadores que se consideram santos. Não há dúvida de que, parafraseando Pascal, seja relativamente fácil encontrar tolos que se consideram talentosos e talentosos que se consideram tolos. Por exemplo, pelo menos segundo o testemunho do segundo, até mesmo o gênio indiscutível Ludwig Wittgenstein teve de recorrer à consultoria intelectual de ninguém menos do que Bertrand Russel para decidir se possuía vocação filosófica ou era simplesmente um idiota. O caso de Wittgenstein teve um desenlace feliz, mas a condição humana é pródiga em casos tristes. Alguns desses compõem a face invertida do espetáculo triste denunciado por Schopenhauer:
Uma grande quantidade de talento é perdida para o mundo pela falta de um pouco de coragem. Todo dia manda para os seus túmulos homens obscuros que apenas permaneceram obscuros porque sua timidez os impediu de fazerem um primeiro esforço. (Sidney Smith)
Ai daqueles que nunca cantam,
Mas morrem com toda a sua música dentro de si (Oliver Wendell Holmes).
 A consciência de que se vai morrer não apenas concentra a mente, como disse Samuel Johnson, mas também pode ser um poderoso solvente da timidez. Embora existam múltiplas situações em que é melhor calar, é sempre bom se ter em mente, na hora da dúvida, que “o túmulo fornecerá muito tempo para o silêncio” (Hitchens, 2006: 128). Em um pequenino e magnífico ensaio (1958), aquele mesmo Samuel Johnson discutiu com perspicácia os perigos opostos da autoconfiança insensatamente elevada e da autoconfiança insensatamente reduzida. A primeira postura lança indivíduos ao mar sem que estes estejam propriamente alertados e preparados para eventuais tempestades, enquanto a segunda pinta de saída um retrato tão amedrontador dessas últimas que instila uma expectativa de naufrágio certo e rouba, assim, qualquer ímpeto de sair da costa.

Johnson reserva mais palavras à última condição, não porque ela seja mais perniciosa, mas porque os seus efeitos são menos visíveis. Indivíduos que se lançam a empreendimentos grandiosamente ambiciosos sem a capacidade necessária, advinda do grau apropriado de preparação, geram eventos visíveis e registráveis quando fracassam miseravelmente. Estes eventos podem acorrer facilmente à consciência como exemplos dos desastres a que se pode levar uma avaliação inadequada das dificuldades que uma dada tarefa coloca às habilidades de uma pessoa. No entanto, a experiência das pessoas que “morrem com toda a sua música dentro de si” é bem menos visível e, muitas vezes, só pode ser inferida de precários raciocínios contrafactuais. A ignorância presunçosa será facilmente corrigida pelas circunstâncias da vida, pelos experimentos que revelarão ao autoconfiante inflado que suas expectativas quanto à facilidade na caminhada para o sucesso eram errôneas e necessitavam de correções e ajustes realistas. Mas “a timidez é uma doença da mente mais obstinada e fatal” que, ao prevenir de antemão as tentativas e experimentos, rouba do tímido a chance mesma da descoberta de que seus temores possam ser exagerados ou irracionais.

Conclusão

Alguma versão do meio-termo aristotélico parece ser o caminho a seguir nessa corda bamba que é a instável dialética da criação. Dúvidas quanto à própria capacidade são um bom sinal, desde que não paralisem. Alguém que pergunta a si próprio se é um completo imbecil não pode, por definição, ser um completo imbecil. Mais ainda: como sublinhou, com razão, o grande filósofo polonês Leszek Kolakowski, “um filósofo moderno que nunca experimentou a sensação de ser um charlatão é tão superficial que sua obra provavelmente não merece ser lida” (1990: 7). E o jornalista James Cameron talvez tivesse sido prejudicado por uma autocomplacência intelectualmente empobrecedora se não temesse ser exposto como uma fraude toda vez que se sentava diante de sua máquina de escrever. Carregando tal insegurança consigo, Cameron se tornou um dos grandes correspondentes internacionais da sua geração: narrou a independência da Índia, presenciou três explosões nucleares, entrevistou Ho Chi Minh em meio a bombardeios e, nesse meio tempo, segundo garantiu, nadou em todos os cinco oceanos e fez sexo em cinco continentes diferentes. Serve de inspiração?

Referências

Cabrera, Julio. Diário de um filósofo no Brasil. Ijuí, Editora Unijuí, 2010.
Gianetti, Eduardo. O livro das citações. São Paulo, Martins Fontes, 2008.
Hitchens, Christopher. Cartas a um jovem contestador. São Paulo, Martins Fontes, 2006.
Johnson, Samuel. “On presumption and despondency”. In: Rasselas, poems, and selected prose. New York, Rinehart, 1958.
Kolakowski, Leszek. Horror metafísico. Campinas, Papirus, 1990.
Schopenhauer, Arthur. Sobre a filosofia universitária. São Paulo, Martins Fontes, 2001.
Sêneca. Aprendendo a viver. São Paulo, Martins Fontes, 2002.
Simonton, Dean Keith. “Expertise, competence, and creative ability: the perplexing complexities”. In: Sternberg, Robert; Grigorienko, Elena. The psychology of abilities, competencies, and expertise. Cambridge, Cambridge University Press, 2003.


14 comentários:

Erliane Miranda disse...

Reflexão balsâmica, Gabriel Peters. Aliás, 'eu(zinha)' não sou dada a comentários, mas decidi 'arriscar tal coisa' porque em seu texto me dilui de tanto que o compartilho.

Gabriel Peters disse...

Olá, Erliane! Obrigadíssimo pelo seu comentário, com direito a metáfora balsâmica e tudo! É ótimo saber que não estou sozinho nessas inquietações! De todo modo, já fazia um tempo que eu vinha acompanhando indiretamente seu trabalho através das referências de Cynthia e companhia pernambucana (lato sensu). Que bom termos agora uma linha mais direta de interlocução! Abraço

Nicolau Brito da Cunha disse...

Grande Gabriel! Achei isso aqui graças a você! Texto muito interessante. Você acha que os insights podem ser potencializados por acontecimentos traumáticos ou rupturas da ordem do saber individual, como o ocorrido com o Leszek Kolakowski quando da sua perseguição na Universidade de Varsóvia? Isso é intrigante, já que no ambiente da Genética Molecular, e em outros campos das ciências da vida, são freqüentes os exemplos de "estalos" inovadores ou aumento de fluxo de consciência criativa após questionamentos como o da "desconfiança da própria imbecilidade", previamente mencionados no texto. A amplificação exponencial de fragmentos de DNA pela ação da enzima DNA Polimerase surgiu assim: através do autoquestionamento do seu idealizador, Kary Mullis, prêmio Nobel de Química em 1993, que imaginava estar redondamente enganado acerca da sua proposta inovadora de sequenciamento de DNA. Essa tecnologia ultra-sensível permite fazer desde testes de paternidade e parentesco até investigação forense e levantamento de provas em cenas de crime. Graças a uma "cagada" na coleta de DNA no caso O. J. Simpson, o astro americano foi absolvido em função da contaminação cruzada da amostra de seu DNA com material genético de outras pessoas que estiveram na cena do crime.
Abração.

Gabriel Peters disse...

Grande Nicolau,

É desconcertante constatar que se tornou mais fácil esbarrar com você nesse espaço virtual do que em algum lugar da nossa Brasília. A boa nova trazida por esse nosso encontro ciberespacial é a percepção de que seu mergulho na biologia mais hard core não bloqueou suas preocupações humanísticas. Desse jeito, você vai virar o Stephen Jay Gould brasileiro!

Como a maior parte da humanidade, integro o grupo daqueles para quem o conceito vago de “cagar uma investigação criminal” é bem mais facilmente compreensível do que a noção precisa de DNA polimerase. Por isso, vê-lo (well, sort of) por aqui não é apenas uma grata surpresa, mas uma oportunidade valiosa para me aproveitar da consultoria bem informada de um praticante cotidiano das ciências naturais como você.

A questão dos “estalos” inventivos, bem como de sua relação com erros (ou melhor, “cagadas”) na prática científica, é fascinante. São muitos os criadores proeminentes na arte e na ciência a reportar que seus melhores achados pipocaram nas suas consciências em situações em que eles não estavam diretamente envolvidos com o trabalho, mas imersos em períodos de descanso intelectual, com pensamentos vagando a esmo - por exemplo, durante uma caminhada ou na lavagem da louça. Entretanto, sem negar a existência desses flashes criativos repentinos, creio que o fundamental é situar tais momentos no domínio mais amplo e prosaico de um trabalho contínuo envolvido não apenas na colheita dos elementos ideativos que acabam combinando-se misteriosamente em um instante “eureca!” (obrigado, Arquimedes), mas também na transformação desses insights hipercondensados em realizações intelectualmente convincentes.

Entusiastas das virtudes do pensamento intuitivo têm grande apreço pelas histórias de cientistas ou matemáticos que experimentaram um insight inovador, já envolvido mentalmente por uma aura de certeza, muito antes de justificá-lo segundo as ferramentas intelectuais próprias de seu campo. Não obstante, a ciência não teria chegado tão longe caso a sensação subjetiva e intuitiva de certeza, mesmo quando mantida por uma mente indubitavelmente genial, fosse tomada como evidência suficiente da veracidade de uma determinada tese acerca do mundo. E, de fato, até pensadores brilhantes agraciados com diversos insights intuitivos que se revelaram válidos à luz de sua elaboração e verificação científica ou matemática posterior, como o já citado Poincaré, foram lúcidos e sinceros o suficiente para reconhecer que outros achados vivenciados com a mesma sensação mental de certeza se mostraram, parcial ou completamente, falsos ou inadequados.

Acho que o estágio da elaboração e verificação de insights, eivado como é de erros, correções, ajustes, reformulações, testes e experimentos, certamente é do maior interesse para abordagens que buscam desmistificar a impressão de espontaneidade miraculosa que aparece em certas mitologias da criação artística ou científica. Qual é o método para se chegar às boas ideias, segundo o grande Linus Pauling? Em primeiro lugar, formule muitas ideias; depois, descarte aquelas que não são boas. W.H.Auden escreveu, certa feita, que “é provável que, no curso da sua vida, um grande poeta escreva mais poemas ruins do que um poeta menor”.

Gabriel Peters disse...

Gosto dessa visão mais experimental da criatividade como um processo de tentativa e erro, uma empreitada pontilhada por riscos em que os criadores mais bem-sucedidos tendem a ser precisamente aqueles que mais frequentemente se expuseram a fracassos. Galileu, por exemplo, manteve-se firme na tese de que os planetas moviam-se em uma trajetória circular, a despeito da crescente evidência em favor de suas translações elípticas. Darwin (me corrija se eu estiver errado) combinou, à sua teoria da evolução, uma explicação da hereditariedade fundada na chamada “doutrina da pangênese”, hoje abandonada pelos biólogos em função dos desenvolvimentos da genética desde Mendel. Einstein foi ficando mais e mais isolado dos seus colegas físicos em sua busca por uma teoria unificada e seu distanciamento da mecânica quântica. E por aí vai...Tais fatos são comumente perdidos de vista diante da mitologia essencialista segundo a qual tudo o que sai mente de um gênio é genial.

Não sei se você ainda está lendo, Nicolau, mas há outro aspecto em que a psicologia da criatividade complica tremendamente nossas noções habituais de capacidade intelectual. Uma inteligência extraordinariamente apta a absorver informações compartilhadas e a incorporar as regras procedimentais de um determinado domínio pode ser, por isso mesmo, pouco estimulada a questionar ou ampliar o conhecimento corrente. A competência invulgar no cumprimento de tarefas típicas do pensamento “convergente” pode levar a um estilo algo rígido e excessivamente convencional de raciocínio que torna o indivíduo pouco apto à inovação. A vantagem intelectual se converte em uma espécie de desvantagem quando o assunto é realização criativa. Inversamente, uma aparente desvantagem, como a tendência de Einstein a permanecer em uma meditação lenta a respeito dos problemas mais básicos de seu domínio, em vez de proceder à assimilação rápida dos modos ortodoxos de tratamento dos mesmos, pode terminar revelando-se vantajosa. É claro, no entanto, que um talento para o pensamento “divergente” só pode vir a desembocar em uma contribuição simultaneamente original e apropriada aos constrangimentos de um campo ou disciplina caso seus produtos sejam regulados e avaliados pelos procedimentos regrados típicos do pensar convergente.

A combinação ideal à criatividade, então, parece ser uma mistura altamente paradoxal entre a “maturidade” cognitiva própria da perícia em um domínio intelectual e um certo tipo de “imaturidade” ou “infantilidade” que leva o criador, por exemplo, a explorar ludicamente possibilidades inventivas ou a experimentar um fascínio diante de fenômenos normalmente tomados como óbvios ou prosaicos demais para serem dignos de nota. Creio que Goethe tinha esse fascínio em mente quando sublinhou que a ingenuidade é a principal qualidade dos gênios.

Abração de volta

Tâmara disse...

Gabriel,
Li há dias seu texto, mas a experiência do tempo, no mundo do conhecimento também, anda em correria desatada tanto para tímidos eruditos como para presunçosos criativos - e outros da fauna do conhecimento. E aí só hoje eu pude roubar um pouquinho desse bem cada vez mais raro para um comentário. Como sempre, seus textos dão o que pensar – além do prazer da leitura de um texto bem escrito.
Este me fez pensar em certas exposições que vi recentemente no III ENESEB (encontro nacional sobre o ensino básico da sociologia). Na busca por caminhos pertinentes para o retorno da sociologia ao ensino básico, sempre se lamenta sua confusão com militantismo, educação moral e cívica ou então com o oposto, ou seja, a mera reprodução do ensino superior (com casos aberrantes narrados, como por exemplo, um professor que exigiu o fichamento completo de ” A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” a alunos do primeiro ano do ensino médio. É pro cabra nunca mais querer ouvir falar na desgraça da Sociologia...!) Pois bem, ouvindo relatos de experiências desse ensino, percebi um descaminho menos discutido (pelo menos que eu tenha conhecimento): o de tentar combater essa reprodução inadequada do ensino superior ao médio através de recursos atraentes aos alunos, tais como jogos, brincadeiras, etc., que apresentem conteúdos sociológicos de maneira, digamos assim, lúdica. Nada contra o que é atraente, muito antes pelo contrário, nem contra jogos e brincadeiras. O perigo é se limitar ao que é atraente a priori para alunos entre 15 e 17, 18 anos: pode-se fazer do ensino da sociologia uma atividade de recreação, desperdiçando-se o potencial formativo e reflexivo do ensino da sociologia a jovens. E aí entra seu texto com o delicado equilíbrio entre criatividade e erudição, em meus termos, entre o brinquedo e o arado, alertando para um fato que professores do ensino médio não podem perder de vista: aprender não é a mesma coisa que brincar, mesmo se é possível se aprender brincando. Mas há dimensões do aprendizado que implicam necessariamente em trabalho disciplinado e cansativo, sem o qual não é possível alguma apropriação do conhecimento acumulado; sem o qual o aluno fica sem matéria para o espírito refletir, criar e até brincar com o que aprendeu. Equilíbrio entre dimensões diferentes do conhecimento: eita coisinha difícil de que seu texto falou tão bem...Abraço.

Gabriel Peters disse...

Oi, Tâmara!

Nessa balbúrdia de vozes incansáveis e simultâneas que marca a nossa era de overdose de informação, já é um privilégio poder contar com leitoras que reservam um pedaço de seu escasso e precioso tempo para a leitura das minhas filosofices. Fico ainda mais grato, então, que você tenha encontrado (ou fabricado) alguns minutos para tecer esses pertinentes e sensíveis comentários.

Antes que eu seja acusado de rasgação eloquente de seda à la Fausto Silva, vamos lá: concordo largamente com as suas considerações. O papo sobre a “dialética da criação” deriva dos meus repetidos encontros, nos estudos sobre criatividade na arte e na ciência, com que o Bachelard denominava “lei da bipolaridade dos erros” – conforme nos afastamos de um equívoco, nos aproximamos perigosamente de um equívoco antípoda...É por isso que me sinto forçado a reequilibrar a balança toda vez em que um dos fatores daquela instável dialética parece estar sendo sobre-enfatizado.

Por exemplo, rechaço qualquer assimilação simplória das capacidades criativas aos índices mais ortodoxos de habilidade intelectual (e.g. testes de QI), ao enfatizar como as primeiras também dependem de disposições ou propensões mentais (flexibilidade, fluência, gosto pela originalidade) que não se identificam ao “poder computacional” puro e simples da inteligência. Ao mesmo tempo, acentuo que tais disposições intelectuais somente redundam em produtos originais e VALIOSOS caso se combinem a um repertório informacional e a modos regrados de raciocínio que carregam a marca de um campo ou disciplina.

Você notou muito bem que essas dialéticas tensas entre o brinquedo e o arado (o urbanoide aqui adorou a metáfora) se manifestam também no domínio do pensamento e da prática pedagógicos. Eu havia feito referência à mistura, ou alternância, entre leveza lúdica e seriedade disciplinada que marca muitos indivíduos excepcionalmente inovadores. Por um lado, vários deles se mostram singularmente interessados em jogar ou brincar com ideias como uma atividade recompensadora em si mesma, embora sempre possa resultar em descobertas valiosas dignas de elaboração. Ao mesmo tempo, o outro lado da moeda traz a face da perseverança obstinada diante dos obstáculos e frustrações inevitavelmente envolvidos na tarefa de trazer ideias novas à luz e apresentá-las de modo persuasivo ao mundo. As atividades docente e discente exigem muitas vezes o mesmo equilíbrio delicado, não é? Se fizemos bem em abandonar a pedagogia da palmatória em favor da introdução de um elemento de prazer lúdico no processo de aprendizado, não há dúvidas de que o compromisso em tornar o ensino prazeroso e atraente não é absoluto, devendo ser temperado por outros desideratos que acarretam inevitavelmente razoáveis doses de “desconforto construtivo”.

Gabriel Peters disse...

De todo modo, na educação como na criação, aquelas combinações ambivalentes não precisam ser sínteses sincrônicas, mas alternâncias diacrônicas (com o perdão da estruturalice). Se a grande escritora, por exemplo, carrega tanto uma criadora experimental quanto uma editora rigorosa dentro de si, é bem provável que as duas não atuem com a mesma intensidade durante todo o processo de criação. Mesmo quando um autor não consegue fazer seu editor interno calar a boca por um segundo, ele só vai conseguir fazer algum progresso se tolerar a frustração de produzir rascunhos que parecem terrivelmente confusos e desarrumados na fase inicial do seu trabalho – como disse encorajadoramente Ernest Hemingway: “The first draft of anything is shit”.

Tais variações cognitivas em atitude mental também possuem seus correlatos emocionais: o longo processo de produção de uma tese de doutorado, por exemplo, envolve uma variedade de sentimentos negativos e positivos. Às vezes, paralisia autodepreciativa e profundo tédio diante do tema que outrora pareceu tão interessante. Em outros momentos, a coisa flui tão divertidamente que desemboca no que William James chamou de “êxtase da emoção cognitiva”. O interessante é que, ao final do processo, a satisfação com o trabalho terminado não é um saldo líquido dos momentos de prazer e dor, pois mesmo os sentimentos negativos vivenciados durante a trajetória são retrospectivamente vindicados, isto é, imbuídos de sentido, valor e justificação por conta do objetivo alcançado.

Mutatis mutandis, a dinâmica psíquica que motiva um doutorando não deve ser muito diferente daquela que anima um alpinista - sem querer sugerir que escrever uma tese seja tão sexy quanto escalar o Everest. Em ambos os casos, a explicação em termos de “masoquismo” não chega a ser completamente incorreta (admitamos), mas é certamente incompleta. Seja como for, se toda educação passa (ou deve passar) por um aprendizado inseparavelmente intelectual e existencial de tolerância às frustrações exigidas pelo princípio da realidade, suponho que isso seja duplamente verdade no caso de uma filha espiritual do “desencantamento do mundo” como é a nossa sociologia.

Abraço

Cynthia disse...

“The first draft of anything is shit”. Que coisa mais terapêutica!

Tâmara disse...

Gabriel, rapaz,
Concordo com tudo, menos que seja sexy escalar o Everest. Perdão por meu sertanejismo, mas pra mim isso é doidice. Eu só subiria um morrão daquele com a polícia correndo atrás de mim. Quanto à sua estruturalice, sinta-se em casa: sou dos que não têm alergia aos estruturalimos e até usa seus conceitos - quando, arando a realidade, entendo que eles podem ajudar a construir conhecimento. Abraço

Tâmara disse...

Cynthia, amiga,
Deu vontade de estar em seu lugar: que luxo ter Hemingway como terapeuta, via carta psicografada por Gabriel Peters. Assim é fácil fazer pós-doc! Beijão

Cynthia disse...

Tâmara,

Terapia é um processo doloroso. Saber que o primeiro rascunho é sempre uma merda não invalida o sofrimento dos próximos passos.

Estava sentindo sua falta por aqui!

...E por falar em falta, cadê os meninos?

Beijos!

Tâmara disse...

Menina,
Se você não sabe desses meninos, imagine eu! Ouvi falar que um deles foi sequestrado pela própria família, há tempos. É triste, mas diz que pode acontecer até com as melhores famílias de Londres.
Eu tenho muita saudade de meu tempo de licença na França, quando podia escrever para o Cazzo todas as vezes que alguma notícia perturbava meu cabeçote e eu partia em busca da imaginação sociológica. E vou rasgar seda: escrever para o blog de vocês é um excelente exercício de escritura. Sem falar das conversas, senão sempre criativas, pelo menos muito engraçadas, que a gente pode ter por aqui.
Convoque esses meninos, menina!

Esperar & Inesperar disse...

Fala, Gabriel! Cara, acho este um ponto pertinente demais. Sobre ele tenho prestado atenção.

Uma amiga me passou um texto em que ela faz uma análise de Orlando. Nele fiquei impressionado como tudo o que ela falou foi através de citações. Como se não pudesse ter opinião própria.

Mudando de assunto. Acho que se estou em algum dos dois polos não é a do engessado pelos livros. Sou do tipo que fracassa retumbantemente.

Só estou me enquadrando no polo, não pretendo fracassar ;)

Mas a bem da verdade, fracassando ou sendo bem sucedido não será retubantemente. Não escrevo em lugar que possa ser ouvido, acho.

De qualquer modo, Gabriel, seu diagnóstico é muito pertinente. Espero que você (na condição de professor e de formador de opinião) não siga os mesmos passos.

Bem legal levantar este ponto!