sábado, 24 de maio de 2008

Fui parar em Marx...


Para os Perrusi, por tradição, alguém sempre é culpado. Na longa história de nossa genealogia, tal projeção poupou-nos de julgamentos, prisões e autocomiserações. Orgulho-me de tal conduta, pois sei que a minha sanidade mental depende dessa espetacular estratégia. Por isso, digo logo: a culpa é de Cynthia! Sim, é sua culpa o fato de eu não ter escrito sobre Habermas e continuado a transcrever minhas anotações de aula. Pois saibam que ela foi lá no meu blog e fez um tratado sobre a noção de raça nas ciências sociais. Isso me intimidou, claro. Sou vulnerável a bons argumentos, principalmente quando são diferentes dos meus. Fiquei tão abufelado que prometi responder à discussão, defendendo a inutilidade do conceito de raça nas ciências sociais. Estou até hoje feito um maluco procurando argumentos para defender minha humilde tese. Tenho insônia, não como direito, pensei até que estava com dengue. Não sei mais o que fazer.

Bem, não fiz nada, propriamente dito, e parei em assuntos completamente fora de propósito, que não têm relação alguma com o assunto. Acho que estou com depressão. E, quando me deprimo, leio Marx, ficando ainda mais deprimido. É uma dialética infernal, cá entre nós. Ler, por exemplo, os Manuscritos Econômico-Filosóficos e partes do Grundrisse é clamar por uma morte rápida. O cérebro torna-se algo bem mole e pastoso, depois da corrosão cognitiva, causada pelo hermetismo do escrito. Pelo menos, antes de me jogar do meu prédio, publico alguns comentários sobre essas instigantes obras. Meu objetivo, com minha resenha, é socializar minha depressão, torná-la uma contaminação, uma plataforma para o suicídio coletivo. Espero que Cynthia leia...

1. MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo, Martin Claret, 2001, pp. 61 a 193
2. MARX, Karl. "Introduction" e "The chapter on Money". In: Grundrisse. Middelsex, Penguin Books, 1974, pp. 81 a 111 e 115 a 238

Manuscritos Econômico-Filosóficos (MEF)

Os MEF tem como base a seleção dos escritos ditos de juventude de Marx. O termo juventude presta-se a alguns mal-entendidos, já que se infere daí que os textos "juvenis" seriam inferiores aos textos "maduros" de Marx — entre a juventude e a maturidade haveria necessariamente uma evolução. Discussão um tanto difícil, visto que muitos marxistas reconhecem-se muito mais nos escritos "juvenis" do que nos "maduros". Mas uma coisa é certa: Marx mudou muito em relação a algumas teses econômicas encontradas nos manuscritos, como atestam suas posições nos Grundrisse e no Capital; filosoficamente, também, a começar que o Marx "maduro" praticamente abandona, por exemplo, a noção de "alienação", embora possamos ver, em algumas discussões no Capital, a temática ser retomada (o descontrole da acumulação capitalista; a liberação de forças sociais impossíveis de serem controladas pelos indivíduos; a perda do sentido do trabalho...). No Capital, o tema da alienação aparece mais relacionado ao tema da falsa consciência (a uma noção de ideologia) e da perda de sentido, enquanto nos MEF a noção possui, aparentemente, um parentesco com o tema da Queda da teologia judaico-cristã, isto é, possui um sentido um tanto metafísico.

Nos MEF, a economia marxiana começa esboçar-se de forma concreta. O tema da transformação do trabalhador em mercadoria é repetido de forma exaustiva, bem como a relação da economia capitalista com a exploração e com a dominação. O trabalhador, para Marx, perde praticamente em toda situação econômica, nem mesmo numa situação de prosperidade; em suma, o capitalista ganha mesmo quando perde e, quando ganha, não traz benefício algum ao trabalhador — análise em tanto questionável, se olharmos a sociedade contemporânea. Como Marx ainda não maneja o conceito de força de trabalho, fica-lhe difícil perceber a raiz da exploração capitalista no seio mesmo da atividade produtiva; assim, a exploração ainda é vista a partir da circulação e da crítica às condições assimétricas nas quais é realizado o contrato de trabalho. Sem o conceito de força de trabalho, Marx não pode aprofundar o conceito de mais-valia. Conseqüentemente, a prioridade analítica da produção ainda não está completamente caracterizada. De todo modo, acredito que Marx, através de sua "economia política", amplia conceitualmente o campo de estudo ao perceber o capital como o "poder de domínio sobre o trabalho e sobre seus produtos" (2001: 80); ora, para Marx, a economia não é apenas "econômica", mas também "sociológica" e, principalmente, "política".

Voltando ao tema da alienação, consideramos que necessariamente tal conceito é normativo, isto é, seria impossível, ao analisar um fato através da noção de alienação, não inscrever um julgamento, baseado em valores, no ato mesmo da análise. Claro, pode-se alegar que todo conceito é normativo. Sim, admito isso, mas apenas da seguinte forma: a normatividade do conceito é resultado de procedimentos e de valores internos à própria conceituação científica (parto da premissa de que a verdade é um valor que tem a propriedade de julgar os valores). Além disso, alienação não é apenas uma "noção", mas também uma categoria de valor, complicando sua transformação em conceito. A noção de alienação impõe uma premissa: através de seu uso, comparam-se as sociedades existentes a uma sociedade utópica ou modelo ideal de sociedade humana (a sociedade comunista) — um modelo que envolve uma visão metafísica do humano: a postulação de indivíduos absolutamente livres que vivem num mundo sem escassez, seja absoluta ou mesmo relativa ou, ainda, a postulação de um indivíduo soberano em relação a si mesmo e aos outros (acredito que tal concepção de indivíduo possui um parentesco com uma visão monadológica da individualidade — uma afirmação forte da minha parte, pois Marx pensa que está fazendo uma crítica da individualidade burguesa, isto é, do indivíduo como Robinson Crusoé). O problema maior não é a construção ideal do modelo, mas sim a crença de que tal modelo seja "realista", ou seja, de que o modelo realizar-se-á ao se acabar com a alienação. Evidentemente, toda sociedade que é comparada a tal modelo aparece como necessariamente alienada. Diante do "tudo bom" da sociedade comunista, tudo passa a ser ruim!

Nos MEF, Marx toma o trabalho como a essência humana. Mas, como o trabalho é alienado, a essência do homem aparece na existência como essência alienada; portanto, a essência estaria separada da existência. A proximidade dessa concepção, cuja característica maior é a separação da essência da existência, com a teologia cristã e, claro, ainda com a filosofia hegeliana, é um tanto forte. Para o "jovem" Marx, a história não passa do desenvolvimento da essência, primeiro como sua negação, depois como sua realização. O divórcio entre a essência e a existência só termina com a realização da "missão histórica" do proletariado. Ora, se os indivíduos concretos e o mundo real são alienados e possuem uma existência que manifesta uma essência alienada, a verdadeira essência não estaria mais localizada no ser, e sim no dever-ser, isto é, no campo normativo de um futuro a ser realizado. Contudo, Marx historiza o conceito de alienação ao construir o conceito de "trabalho alienado". Tal conceito vem de Hegel, mas com uma fundamental diferença: para Hegel, a ontologia do trabalho é alienada por si mesma; para Marx, o trabalho é alienado historicamente. Como a essência será realizada na história, a alienação do homem deixa de ser absoluta e passa a ser histórica; logo, necessária, mas em desaparecimento, porque histórica — desse ponto de vista, o "jovem" Marx supera uma visão filosófica que postula que toda objetivação humana é alienada por princípio. Entretanto, como a realização da essência não está na realidade dos indivíduos concretos, mas sim no dever-ser, isto é, no futuro a ser realizado, a cobra volta a engolir o seu próprio rabo, e o problema ad huc judice lis est: a questão fica ainda pendente.

Grundrisse

Devido à complexidade do texto, farei comentários em forma de esquema:

1. Na introdução, Marx postula o método da economia política e produz uma série de considerações epistemológicas fundamentais. Lembrar que, nessa época, Marx relia a Lógica de Hegel; assim, sua epistemologia possuia uma afinidade considerável com a hegeliana. Marx defende que a apreensão do real deve partir do abstrato, chegando ao concreto. Tal movimento significa apropriar-se teoricamente do concreto, transformando-o em "concreto pensado". Numa passagem famosa, afirma: "o concreto é concreto porque é a síntese de múltiplas determinações e, portanto, a unidade do diverso". A apreensão teórica da realidade é um processo de síntese, reconstruindo progressivamente o real ou o concreto a partir de suas determinações abstratas ou, no dizer de Marx, mais simples. Vale assinalar que, aqui, Marx distancia-se da concepção de Durkheim da simplicidade: um simples... simples, isto é, uma simplicidade original não-complexa; na verdade, o simples é produto do complexo (para falar como Bachelar), pois seria uma "síntese de múltiplas determinações". Do abstrato ao concreto, eis o brasão de Marx.

2. Contudo, pode-se perguntar, no caso específico dos Grundrisse, se Marx não caiu nas rédeas da Lógica de Hegel e não conseguiu desbaratar-se de seus tentáculos epistemológicos. Segundo Thompson,

"Marx foi colhido por uma armadilha: a armadilha preparada pela "Economia Política". Ou, mais exatamente, ele foi sugado por um redemoinho teórico e, apesar de toda a energia com que agita os braços e nada contra a corrente, fica girando lentamente em torno de vórtice que ameaça engoli-lo. Valor, capital, trabalho, dinheiro, valor, estão sempre reaparecendo, são interrogados, re-categorizados, para voltar no movimento circular das mesmas velhas formas, para o mesmo interrogatório"

3. O que Thompson critica nos Grundrisse é o hegelianismo epistemológico de Marx. Hegel deriva as diversas categorias ontológicas uma das outras; Marx parece fazer o mesmo em relação às categorias econômicas. Parece que defende, como Hegel, a "autodeterminação do conceito", personificada na "autodeterminação do capital".

4. Um exemplo disso seria quando Marx produz a famosa cadeia lógica das categorias econômicas: produto => mercadoria => valor-de-troca => dinheiro => capital => trabalho (pp. 87). Sinceramente, ficamos sem saber quem anima o processo. O próprio Marx parece fazer uma retificação confusa quando admite o mistério da correspondência entre a cadeia lógica das categorias econômicas e o processo concreto no qual as categorias aparecem na realidade. Ele fala explicitamente de corrigir a maneira idealista da exposição (pp.88). Idealista ou não, Marx continua "hegeliano" quando persevera na sua visão da "autodeterminação do capital". Tal noção é simplesmente conceitual ou faz parte do comportamento de agentes concretos? — parece não existir agente nesse movimento fechado do capital.

5. Acredito que o grande mérito de Marx, no capitulo do dinheiro dos Grundrisse, foi o esboço de uma sociologia do dinheiro — afinal, dinheiro é uma coisa por demasiada importante para deixar nas mãos dos economistas. Marx afirma uma relação estrutural entre o dinheiro, a riqueza, o capital e a distribuição do poder na sociedade capitalista. O dinheiro não seria politicamente neutro, como sempre quis a economia clássica; pelo contrário: a posse do dinheiro estaria relacionada a questões de poder. Marx percebe as utilidades funcionais do dinheiro, mas tenta mostrar que a funcionalidade do dinheiro pode ser entendida também via uma apreensão política econômica. O dinheiro não seria apenas um instrumento utilizado para coordenar as atividades de produtores independentes no âmbito de uma divisão social do trabalho, mas também a forma fundamental mediante a qual a força de trabalho pode ser transformada em mercadoria — sem dinheiro não haveria trabalho assalariado. Para Marx, pelo que entendi, o dinheiro pode ser até politicamente neutro, se considerarmos apenas a esfera da circulação dos bens; mas, fundamentalmente, o dinheiro seria uma expressão das características das relações econômicas e das tensões no capitalismo. Ele seria a expressão e não a causa direta das contradições do capitalismo, como queriam os proudhonistas. A abolição do dinheiro não amenizaria as contradições capitalistas; ao contrário, por ser expressão das relações econômicas, ele retornaria novamente de alguma outra forma.

6. Pelo que entendi, o dinheiro é uma condição sine qua non para o surgimento de uma sociedade capitalista. Através dele, o trabalho abstrato pode ser quantificado e, principalmente, liberado de constrangimentos sociais e espaciais, como acontecia no feudalismo. Marx produz uma sociologia do dinheiro ao analisar a forma pela qual as relações de produção capitalistas assumiram graças ao papel do dinheiro, principalmente na sua função de "mercantilizar" o trabalho abstrato. Pode-se afirmar que a explicação marxiana da formação do dinheiro no capitalismo está umbilicalmente relacionada à sua teoria da organização e distribuição do poder na sociedade capitalista.

7. Marx parece deduzir a auto-expansão do valor (capital) do conceito de dinheiro. E, como o valor é deduzido do trabalho, o sobre-trabalho é deduzido de uma apropriação monetária do trabalho. Marx finca seu conceito de dinheiro na produção, já que produz uma relação de determinação entre a troca e a atividade produtiva. Não seria o papel especial que tem o dinheiro nas relações de troca que dariam o seu valor no capitalismo, mas sim do seu status de mercadoria, e a determinação dessa condição vem da produção (pelo menos, essa posição é explícita no Capital). O dinheiro, assim, seria a cristalização das relações de produção capitalistas.

8. A vinculação do dinheiro à produção pode ser interessante por um lado, mas, por outro, pode trazer alguns problemas analíticos. A relação entre a produção e os setores financeiros não pode, na atualidade, ser explicada a partir de um modelo econômico centrado na produção. A troca (logo, o dinheiro) precisa ter uma autonomia, no mínimo relativa, em relação à esfera da produção. Como explicar as transações financeiras na globalização pelo modelo marxiano? Não se explica, simplesmente.

9. Apesar de propor uma sociologia do dinheiro, a teoria marxiana não consegue (na verdade, não se interessa em) caracterizar os comportamentos dos indivíduos em relação ao dinheiro. Como os indivíduos, principalmente os agentes financeiros, lidam com o dinheiro? O papel do dinheiro, nas atuais transações financeiras, funciona muitas vezes como informação monetária, influenciando o comportamento dos indivíduos. A teoria do dinheiro de Marx não consegue atingir as motivações e as razões individuais por trás da demanda de dinheiro.

10. Enfim, se a teoria do dinheiro em Marx não consegue atingir o comportamento dos agentes econômicos, já que estes são muito mais personificações de estruturas econômicas do que verdadeiros sujeitos com um mínimo poder de ação, tal teoria tem uma dificuldade intrínseca em analisar um fenômeno fundamental do mundo contemporâneo: o consumismo — até porque Marx sempre centrou sua análise muito mais no produtor do que no consumidor, pois sempre privilegiou analiticamente a esfera produtiva. E, por fim, analisar os comportamentos concretos dos indivíduos em relação ao dinheiro precisaria de um exame estrutural da relação entre o dinheiro e o Estado — a análise marxiana não dá conta de tal questão.

Aaaah, isso sou eu caindo do prédio... Eu avisei...

Durante a queda, repito a todo momento: _até aqui tudo vai bem...

Artur Perrusi

________
E. P Thompson. A miséria da teoria ou um planetário de erros. Rio de Janeiro, Zahar, 1981, pp. 71.

7 comentários:

Cynthia disse...

Vade retro, bicho agourento! Ainda mais agora, que me dei conta de que os três livros que tenho na minha cabeceira neste exato momento são Sobre o Suicídio (Karl Marx), Carta a D. (André Gorz)e As Virgens Suicidas (Jeffrey Eugenides).

Tá na hora de voltar para a sociologia do humor - depois que eu terminar minhas reflexões sobre raça. E, só por segurança, vou me manter distante de Marx por uns tempos.

Cynthia disse...

Uma dúvida: para Hegel, a essência do trabalho é alienada ou objetificada? Ele não faz uma distinção entre alienação e exteriorização? Em outros termos, a superação da alienação não estaria relacionada à idéia de exteriorização, de estranhamento, fazendo com que a cobra deixe de morder o próprio rabo?

Le Cazzo disse...

Don Arturo Corleone,

Fiquei por enquanto na leitura dos MEF e na discussão sobre a alienação, depois leio o resto. Gostei da ligação entre alienação e Queda. Nunca havia pensado nisso, embora uma semelhança inquestionável entre o argumento de Marx e outros cristãos (Rousseau, Fichte e Hegel) justifique plenamente seu argumento. Para o Hegel de Jena (Filosofia Real, Sistema da Vida Ética, mais especificamente), pelo que me lembro, o homem é o "ser indireto", o processo de humanização se dá pela técnica, que é sua possibilidade de exteriorização. Toda exteriorização é em princípio alienação - Hegel toma aqui lições com Fichte: o Eu tem de se tornar um "Não-Eu" (ou seja, objeto de si)para que como ser prático, não contemplativo possa finalmente estar Em-Si objetivamente, ou seja, de forma exteriorizada - como realidade e não apenas como potência. Hegel transforma isso num projeto de desenvolvimento do Espírito na História, OK. Agora o que acho bacana é ligar isso com o pensamento Cristão de onde eles partem mesmo.

Acredito que a oposição essência-existência também poderia ser trabalhada a partir dessa perspectiva.

E que estória é essa de que a verdade é apenas um valor - algo tão terrivelmente neokantiano num texto sobre Carlos Marx? Abraço, Jonatas

Le Cazzo disse...

Don Arturo,

Alinhei a caricatura de Marx à esquerda, que é como eu e Cynthia estamos publicando. Fiz mal?.... Se sim, centraliza de novo que certamente podemos conviver melhor com alguém com convicções estéticas do que com um cabra metido. Abraço, Jonatas

Cynthia disse...

Valeu o esclarecimento, Jonfer.

Arture, queda livre ainda não, mas a transformação do cérebro em um elemento mole e pastoso foi bem sucedida. Tá feliz agora?

Artur disse...

O quê? Você alinhou a imagem à esquerda?! Miserável! Vc é um cabra morto. Todo meu argumento passava pela centralização da imagem (hehe). Bem, agora sei que as imagens são alinhadas à esquerda.

Ufa, ainda bem que "Jonfer" esclareceu a questão. Peguei uma dengue metafísica com a pergunta de Cynthia. Mas... er... Jonfer?!

(um minuto de silêncio. Olho o céu, disfarço um pouco. Ao longe, escuto uma cotovia piando)

Jonfer?!... Imagine, na próxima banca, eu te apresentar solenemente: _com vocês, o professor... Jonfer! Será um espetáculo!

Cynthia é má! As palavras causam tempestades; os apelidos destroem reputações (hehe).

A defesa da relação da tese da alienação, no "jovem" Marx, com o cristianismo não é minha (não é possível que eu tenha pensado nisso, pois abandonei as drogas faz tempo) e sim - minha memória é uma armadilha - de Istvan Meszaros (não gosto muito do cabra, mas reconheço que o seu "Teoria da alienação em Marx" é um baita livro). Se não me engano, essa relação está lá; ou, então, foi uma inferência da minha parte, sabe-se lá por quais motivos.

Aliás, defendo inclusive que o tema da Queda aparece em Freud. É o que defende Richard Webter no "The hidden Freud" ("por que Freud errou: pecado, ciência e psicanálise").

Voltando ao assunto e complementando. Acho que, em Hegel, enquanto o Espírito não se reconciliar com a História, toda exteriorização será alienação. Acho que o Marx do MEF compartilha com esse modelo de fim da história. Enquanto que, em Hegel, o fim da história é um evento metafísico, em Marx, seria "sociológico"; afinal, no comunismo, pelo que entendo, não existirão mais "estratificação social", nem desigualdade, nem diferenciação social, isto é, de manhã, eu transo, à tarde, jogo amarelinha, à noite, transo novamente (em suma, o comunismo será constituído por jovens tarados).

Por isso, minha defesa de que, no fundo, a visão de individualidade do Marx do MEF é monadológica, pois sobrarão apenas indivíduos completamente auto-suficientes (em suma, só sobrarão adolescentes).

asadebaratatorta disse...

Jovens tarados por jovens tarados, eu não sei por que o comunismo no Brasil não deu certo. =P
heiauheiuheaiuihie