terça-feira, 30 de março de 2010

Conselhos para Jovens Noivas



Autores como Norbert Elias, Erving Goffman e Anthony Giddens souberam tirar vantagem dos manuais de etiqueta e livros de autoajuda a fim de compreenderem os valores que guiam determinados aspectos do comportamento humano em uma dada época. Foi com isso em mente que traduzi o pequeno texto, retirado do Feminist EZine (listado nas páginas úteis, ao lado). Uma pérola da moral puritana que teve seu auge no período vitoriano e que chegou ao cúmulo de transformar em moda as “saias” de mesas e cadeiras a fim de esconder suas “pernas” e, assim, não excitar os homens. O original foi publicado em The Madison Institute Newsletter, Fall Issue, 1894.

Cynthia

Instruções e Conselhos para a Jovem Noiva sobre a conduta e os procedimentos de relações íntimas e pessoais no casamento para a maior santidade espiritual e glória de Deus

Por Ruth Smythera, amada esposa do Reverendo L.D. Smythers, Pastor da Igreja Metodista Arcadiana da Conferência Regional Ocidental, Publicada no ano de nosso senhor de 1894, Spiritual Guidance Press, Nova Iorque.

Para a jovem mulher sensível que teve os benefícios de uma educação adequada, o dia do casamento é, ironicamente, o dia mais feliz e o mais aterrorizante de sua vida. Do lado bom, há o próprio casamento, no qual a noiva é a atração central em uma cerimônia bela e inspiradora, simbolizando seu triunfo em assegurar um homem que provê todas as suas necessidades pelo resto de sua vida. Do lado negativo, há a noite do casamento, durante a qual a noiva deve pagar o preço, por assim dizer, ao encarar pela primeira vez a terrível experiência do sexo.


segunda-feira, 29 de março de 2010

O Romantismo e as Ciências Sociais 5


Géricault: Evening Landscape with an Acqueduct; 1818

Jonatas Ferreira

Proponho uma citação como ponto de partida a esse quinto post acerca da importância do Romantismo nas ciências sociais. A citação começaria com uma definição de sociedade:

“entidade moral com qualidades específicas distintas daquelas dos seres individuais que a compõem, assim como os componentes químicos têm propriedades que não devem a quaisquer de seus elementos. Se a agregação resultante dessas vagas relações de fato formassem um corpo social, haveria uma sorte de sensório comum que sobreviveria à correspondência das partes. O bem e o mal públicos não seriam apenas a soma do bem e do mal individuais, como uma simpes agregação, mas residiriam na relação que os une. Seria maior que a soma, e o bem-estar público não seria o resultado da felicidade dos indivíduos, mas antes sua fonte”.



domingo, 28 de março de 2010

Nota da Sociedade Brasileira de Sociologia

A edição da lei nº 11.684, de 2008 que altera e Lei de Diretrizes e Bases da Educação e estabelece a obrigatoriedade da Sociologia nos três anos do ensino médio em todas as escolas brasileiras trouxe para os Sociólogos, tanto para aqueles que atuam nas universidades como para os professores da educação básica, a necessidade de tomar para si a discussão sobre os fundamentos, os conteúdos, assim como as metodologias adequadas ao ensino de Sociologia para os jovens e adultos que estudam no ensino médio.

Mesmo num contexto anterior, quando a Sociologia se fazia presente como componente curricular somente em alguns estados brasileiros e apenas em uma série do ensino médio, a Sociedade Brasileira de Sociologia criou em seu Congresso de 2005 a Comissão de Ensino Médio. Desde então, esta Comissão passou a centralizar as iniciativas dos estados, realizando encontros e congressos com o propósito de contribuir para práticas do ensino de Sociologia, tendo em vista a preocupação com sua qualidade. Nessa direção, hoje podemos afirmar que temos acumulado conhecimento sobre a temática, autorizando-nos a apoiar a elaboração de propostas curriculares em vários estados brasileiros.

Por esta razão, vimos manifestar nossa preocupação com a proposta curricular de Sociologia apresentada pela Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, na medida em que esta sugere certos conteúdos temáticos que consideramos irrelevantes para o ensino de Sociologia no ensino médio, apresenta como conceitos certos termos não identificados no arcabouço teórico e conceitual advindo das Ciências Sociais e se fundamenta em uma concepção prescritiva ou normativa do ensino de Sociologia.

Sabemos que o professor não opera mecanicamente com as propostas curriculares em seu dia a dia na escola, ao contrário, de alguma maneira ele traduz ou seleciona os conteúdos, tendo em vista a sua própria experiência. Ainda assim, não poderíamos deixar de nos pronunciar, sob pena de ignorar todo um movimento repleto de experiências práticas e teóricas que temos registrado em nossos encontros.

Pelo exposto e ciente de nossas responsabilidades, reiteramos o apoio da SBS à criação de fóruns estaduais e nacional que possam estimular a reflexão e o debate entre professores e pesquisadores envolvidos com o ensino de sociologia.

Anita Handfas
Coordenadora da Comissão de Ensino Médio da Sociedade Brasileira de Sociologia

Celi Scalon
Presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia

Para ler a proposta curricular da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, clique no ícone abaixo:

sábado, 27 de março de 2010

Daniel Kahneman: O enigma da experiência x memória


Para ver as legendas em português, clique em "subtitles".

sexta-feira, 26 de março de 2010

Carta aberta dos professores do IUPERJ

Rio de Janeiro, 15 de março de 2010.

Prezados colegas e amigos do IUPERJ,


Voltamos, nós do IUPERJ, a recorrer aos colegas das Ciências Sociais e da Academia em geral. Dirão alguns decerto que se trata da continuada crise que os ocupou em nosso apoio, em momento crítico há seis anos atrás. Sim, é a mesma, só que agravada ao seu mais extremo limite, pois agora o que está em jogo é o encerramento das atividades da instituição.

Nestes últimos anos, a situação da Universidade Candido Mendes, mantenedora do IUPERJ, só fez deteriorar-se. Nos últimos dois anos, não recebemos 9 salários dos 26 devidos e vários direitos trabalhistas não são honrados desde 1999. Em 2010 não temos qualquer perspectiva de que receberemos salários ao longo de todo o ano letivo. Ora, como não temos recursos próprios, que fazer para evitar um desfecho que nos é catastrófico?

Estamos negociando com o Governo Federal, através do Ministério da Ciência e Tecnologia, a formação de uma Organização Social, entidade que propiciaria aporte de recursos públicos, inclusive orçamentários, e privados para o Instituto: trata-se da única alternativa capaz de garantir a sobrevivência institucional. Ocorre, porém, que não são poucos os obstáculos nesse caminho, até mesmo uma argüição de inconstitucionalidade das OS no Supremo Tribunal Federal. Se superados todos os obstáculos, vale lembrar, só alcançaremos resultados tangíveis em 2012, não obstante o apoio manifestado por diversas agências governamentais.

Incerto e longo, o caminho não será percorrido sem o apoio e a solidariedade da comunidade científica, os quais, diga-se a bem da verdade, jamais nos foram negados. O alerta aos poderes públicos só se efetivará de fato com crescentes manifestações de preocupação com o destino do IUPERJ.

O IUPERJ é sua história, o empenho de seus estudantes, funcionários e professores nestes últimos 40 anos; seus programas de Ciência Política e Sociologia, respectivamente com graus 6 e 7 na avaliação da CAPES e ambos totalmente gratuitos; as 281 teses de doutorado e 471 dissertações de mestrado aqui defendidas; o fato de que 41% de seus doutores egressos ensinam e pesquisam em universidades públicas e 23% o fazem em instituições particulares; os 40 doutores do exterior aqui diplomados; os 11 grupos de pesquisa ora cadastrados no CNPq. É por tudo isso que acreditamos numa solução institucional e decidimos iniciar o ano letivo mesmo sem salários.

Queremos continuar a fazer o que sempre fizemos. A instituição é maior que cada um de nós. Tudo faremos para tentar salvá-la, mas nem tudo está ao nosso alcance. Por isso, pedimos, e é este o verbo, o apoio dos colegas.

Adalberto Moreira Cardoso,
Argelina Maria Cheibub Figueiredo,
Carlos Antonio Costa Ribeiro,
Cesar Augusto C. Guimarães,
Diana Nogueira de Oliveira Lima,
Fabiano Guilherme M. Santos,
Frédéric Vandenberghe,
Gláucio Ary Dillon Soares,
Jairo Marconi Nicolau,
João Feres Júnior,
José Maurício Domingues,
Luiz Antonio Machado Silva,
Luiz Jorge Werneck Vianna,
Marcelo Gantus Jasmin,
Marcus Faria Figueiredo,
Maria Regina S. de Lima,
Nelson do Valle Silva,
Renato de Andrade Lessa,
Renato Raul Boschi,
Ricardo Benzaquen de Araújo,
Thamy Pogrebinschi.


Participe do abaixo assinado

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Romantismo e as Ciências Sociais 4


Caspar David Friedrich; On a Sailing Ship (ca. 1819)

Jonatas Ferreira

Desde O Conceito de Crítica no Romantismo Alemão, publicado por Walter Benjamin em 1920, a filosofia fichteana tem sido considerada um caminho inevitável entre Kant e os primeiros românticos na Alemanha. Johann Gottlieb Fichte é o filho ilegítimo da filosofia crítica - nas páginas introdutórias de Ciência do Conhecimento somos informados que o próprio Kant rejeitava essa influência e parentesco. Poucos, todavia, negariam que Fichte tanha trabalhado, não importa quão subversivamente, sobre uma arquitetura que era kantiana. Recorro nos próximos dois parágrafos a um pequeno texto que já havia publicado no Cazzo sobre o assunto – já ali eu falava de minha má-vontade em resumir o argumento de Ciência do Conhecimento. Modificarei aquele texto apenas cosmeticamente.


terça-feira, 23 de março de 2010

Procura-se serviço de auxílio religioso para elaboração de tese de doutorado

Péricles Andrade
Prof. Adjunto do DCS-UFS; Doutor pelo PPGS da UFPE

Por estes dias recebi de uma orientanda uma mensagem com imagens cômicas. O título da mesma era “se nenhum desses resolver seus problemas... Ninguém resolverá!!!”. O conteúdo trazia algumas ofertas de serviços religiosos e alguns testemunhos. Primeiramente a escrita de alguns destes documentos necessitam de uma revisão textual, pois incomodariam qualquer professor de português. Como não é este o propósito deste pequeno texto, peço licença aos puristas da nossa língua e tentarei uma leitura noutra perspectiva.


domingo, 21 de março de 2010

O Romantismo e as Ciências Sociais 3


Caspar David Friedrich; Die Winterreise (ca. 1827)

Jonatas Ferreira
“...Pois que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo anjo é terrível.
E eu me contenho, pois, e reprimo o apelo
do meu soluço obscuro. Ai, quem nos poderia
valer? Nem anjos, nem homens
e o intuitivo animal logo adverte
que para nós não há amparo
neste mundo definido”.
(Rilke, Elegias de Duíno
“Primeira elegia; tradução: Dora Ferreira da Silva)

“Como é diferente se abandonamos a possibilidade de explicar a natureza e tomamos essa impossibilidade de compreeneder como um princípio de julgamento”.
(Schiller, On the Sublime)

Sempre gostei muitíssimo das Elegias de Duíno, de Rainer Maria Rilke, sobretudo a Primeira Elegia, de onde tomei emprestada uma das epígrafes ao presente texto. “Todo anjo é terrível” é um aparente paradoxo e, ao mesmo tempo, algo maravilhosamente dramático de ser dito. Para quem anjos são terríveis senão para aquele que constata seu desamparo diante de um mundo excessivamente definido, uma realidade excessivamente racionalizada? Para ele, ou para ela, também o belo é agora terrível, pois desconfia que este seja um sentimento de certo modo impossível – como os anjos de Rilke que trafegam entre nós sem distinguir muito bem entre vivos e mortos, o belo já não nos é plenamente visível. Na obra kantiana, na Crítica do Julgamento, mais precisamente, uma constatação muito próxima àquela que nos oferece Rilke é apresentada na passagem da Analítica do Belo para a Analítica do Sublime. Falemos um pouco sobre essa obra e permitam-me um pequeno e, espero, útil excurso em minha exposição.


Bento XVI e a Tamarineira



Por Gadiel Perrusi (Professor aposentado do PPGS UFPE). Post originalmente publicado no Blog dos Perrusi em 21/03/2010.

De médico e louco, cada um tem um pouco. A novidade, no entanto, é que Bento XVI acaba de decretar a ressurreição do diabo, do demônio, de satanás. Em suma, do Coisa Ruim que, de uma forma insidiosa, mandou seus filhotes infestarem a maioria dos padres pedófilos da ICR. O Papa, humildemente, pediu desculpas.

Uai! Por que ele pediu desculpas? Será que ele também? Sopra no meu ouvido alguma entidade maléfica.

Não! Não quero, não posso, nem devo acreditar. Vade retro, filhote de Belzebu!

Depois dos avanços da Psiquiatria, da Psicologia, da Neurologia e, até mesmo, da Psicanálise, acreditava-se que os demônios não passavam de crendices populares, embora a prática do exorcismo ainda exista em certos meios católicos e protestantes.

Assim, as chamadas manifestações demoníacas começaram a desaparecer sob o crivo daquelas especialidades que classificavam as diabruras do capeta como doenças mentais perfeitamente identificáveis, algumas até mesmo curáveis.

Porém, Bento acredita em satanás e, para isso, está incentivando a formação de exorcistas que são capazes de lutar contra as forças do mal, expulsando-as das pessoas, exceto, como de praxe, dos corrutos de nossa república.

Por acaso, não foi o próprio Cristo que expulsava demônios e, pelo menos uma vez, os jogou contra uma manada de porcos, em Gedara?

O novo Arcebispo de Olinda e Recife, fiel ao chefe supremo, também deve acreditar nas forças demoníacas que atacam, certamente, os internos do Hospital da Tamarineira. Mas, ao contrário de Bento, o Arcebispo resolveu ser mais objetivo e prático; promete transferir os doentes mentais para umas casinhas (sic), construídas pela Arquidiocese, ficando, é claro, esgoto e água sob a responsabilidade da Compesa (quando?) e a luz, da Celpe (quando?). Afinal de contas, ninguém é de ferro!

No belíssimo local do Hospital, o Arcebispo anuncia que vai mandar construir um shopping e outras coisitas mais, sem mesmo se dar ao cuidado de provar, legal e publicamente, que a Tamarineira pertence, de fato e de direito, à Arquidiocese.

Historiadores contestam a legalidade do caso; jornalistas, ambientalistas e os moradores da área protestam contra o crime que a Arquidiocese pretende praticar, mesmo que o terreno lhe pertença, o que é duvidoso.

Ora, não seria o caso de Bento XVI mandar seus exorcistas ao Recife para examinarem tanto o caso dos doentes mentais da Tamarineira como os próprios mentores do empreendimento imobiliário anunciado?

Não seria o caso de se pensar que não se trata de “doença mental” mas, sim, de possessão demoníaca, tanto de uns como de outros?



E já que estamos falando de romantismo, a visão do Coisa Ruim a partir de Night on Bald Mountain, do compositor romântico Modest Mussorgsky (1839-1881) e de Walt Disney.

sexta-feira, 19 de março de 2010

(Ant) agonismo



Interrompemos nossa programação romântica para um aviso importante.

Hoje o debate promovido pelo Grupo de Pós-Estruturalismo do PPGS será quente. De um lado, representando a ala Pomo Radical-Chic do PPGS, nosso grande Remo Mutzenberg. De outro, professor visitante do Conicet, Argentina, Adrián Scribano, defendendo o realismo crítico, a teoria crítica e a hermenêutica crítica.

Vai, Adrián!

Sala de Seminários do PPGS, 14:00h. Creio eu.

Cynthia